segunda-feira, 13 de novembro de 2006

Até ao fim... (reticências)

[Algures entre o Bombarral e o Cadaval, Novembro de 2006, FF]

Eu decido correr a uma provável desilusão: e uma manhã recebo na alma mais uma vergastada - prova real dessa desilusão. Era o momento de recuar. Mas eu não recuo. Sei já, positivamente sei, que só há ruínas no termo do beco, e continuo a correr para ele até que os braços se me partem de encontro ao muro espesso do beco sem saída. E você não imagina, meu querido Fernando, aonde me tem conduzido esta maneira de ser!... Há na minha vida um bem lamentável episódio que só se explica assim. Aqueles que o conhecem, no momento em que o vivi, chamaram-lhe loucura e disparate inexplicável. Mas não era, não era. É que eu, se começo a beber um copo de fel, hei-de forçosamente bebê-lo até ao fim. Porque - coisa estranha! - sofro menos esgotando-o até à última gota, do que lançando-o apenas encetado. Eu sou daqueles que vão até ao fim. Esta impossibilidade de renúncia, eu acho-a bela artisticamente, hei-de mesmo tratá-la num dos meus contos, mas na vida é uma triste coisa. Os actos da minha existência íntima, um deles quase trágico, são resultantes directos desse triste fardo.
E, coisas que parecem inexplicáveis, explicam-se assim.
Mas ninguém as compreende.
Ou tão raros...
Mário de Sá-Carneiro, in "Cartas a Fernando Pessoa"

14 comentários:

Tino disse...

A natureza humana é mesmo essa! Já o Pessoa havia confirmado, o fel é para beber até ao fim, até porque vem em copos de shot...será que as pessoas gostam menos de mel porque os frascos são grandes? Homem que é homem, não bebe mel!!Come abelhas! (in Tino, The Revenge) :) Um beijo docinho para ti, estranha pessoa que anda para aí a tirar fotografias no meio da estrada! (pareces um gajo que eu cá sei!) :)

little_blue_sheep disse...

7
Eu não sou eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio:
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim para o Outro.

Mário de Sá-Carneiro

.*.Magia.*. disse...

Vim aqui numa de "emplastro"
Apenas marcar presença, e dizer que...

E também para dizer que...

(olha lá, ó estranha baldas, então onde anda o tal miocárdio a três????)

Estranha pessoa esta disse...

hehehe
Já vai.
Que pressa :P

Louco de Lisboa disse...

A truááá??

(Estou de olho em voÇesses... tento estar atento, coisa dificil acompanhar-vos, mas que tento tento, disso não me podem acusar)

.*.Magia.*. disse...

Louco...
Não contestes as minhas conversetas com a Estranha...ela sabe do que falo...e tu também saberias se estivesses atento aos miocárdios...!

Olha, vai comprar um desfibrilhador...ok?

.*.Magia.*. disse...

Estranha Baldas...

Onde anda afinal o miocárdio para três ???????

Tou curiosa!

Estranha pessoa esta disse...

A curiosidade matou o rato :P
Além de que, não vale a pena estares tão curiosa assim, porque as photos não ficaram nada miocardianas.
Mas, como diz o outro.
Vale a bela da intenção ;)
**

Estranha pessoa esta disse...

E baldas é a Tia :P

Estranha pessoa esta disse...

Maluco da Capital,
Andas desatento!
Olha deita te ali na linha e não reclames nem da linha nem do som.. que eu hoje não estou para reclamações.


Tino,
Adorei essa analogia das abelhas e do Mel.
Gostei mesmo!
Posso roubar a analogia? ;)

Blue,
Como sempre adorei as palavras do Pessoa.. o grande Fernando...
**

-pirata-vermelho- disse...

'Entre o Bombarral e o Cadaval'
passo eu a voar alto
p'aterrar n'Atouguia
e
s'ainda estiveres no Baleal
molhada e cheia de sal
veste-te que está um frio do caraças


O quê!?
Não rima...?

Estranha pessoa esta disse...

hehehhe
Pirata do Cadaval
Ou será, do Bombarral?
Cá para mim és do Mar
Lá para os lados do Baleal?
Será?

Hmmmmmm
Tenho para mim que és doutros lados.
Nem do Mar, nem da Terra.
Talvez de um qualquer céu vermelho.
Ali para os lados da Vermelha.

-pirata-vermelho- disse...

Daqueles lados tenho ideia
da Vermelha e mais pra lá
mas
sou ave d'arribação
e
não durmo do lado de cá
(venho do outro lado da serra)
mas
se te vejo estampo o avião
a ver se me dás a mão
pa ficar estampado na tua terra

Estranha pessoa esta disse...

És ave d'arribação
E eu alma errante
Não sou pessoa de deixar
os amigos na mão.

Se estampas o avião
Então teremos uma enorme confusão
Mas, que não seja por isso
Pois aqui neste terra
Todos temos um enorme coração.