domingo, 24 de janeiro de 2010

Quási

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[Figueira da Foz, 24 de Janeiro de 2009, FF]

"(...) Que se passou portanto? Chegámos ao sentimento do não valor da existência quando compreendemos que ela não pode interpretar-se, no seu conjunto, nem com a ajuda do conceito de fim, nem com a do conceito de unidade, nem com a do conceito de verdade. Não chegamos a nada, não logramos coisa nenhuma dessa espécie; a unidade global não aparece na pluralidade do devir: o carácter da existência não é o de ser verdadeira, mas o de ser falsa (...) não há razão alguma para nos persuadirmos de que existe um mundo verdadeiro. (...) Em suma, as categorias de fim, de unidade, de ser, graças às quais demos um valor ao mundo, retiramos-lhas e o mundo parece ter perdido todo o valor."

Friedrich Nietzsche

3 comentários:

Mαğΐα disse...

Gosto desse bacano, do Nitche (eu sei que não é assim que se escreve mas não me apetece fazer copy/past)


E gosto.
Gosto das portas velhas.

Gosto da metáfora.
Cadeados e abandonos...

Canto Turdus Merula disse...

Sobre as imagens, gosto da leitura que o comentário anterior faz: Cadeados e abandonos.

Fortíssima reflexão.

Próprio de Nietzsche a irreverência em conduzir o pensamento com o olhar profundamente cortante, sempre muito bem expresso na sua obra.

Sem retirar qualquer mérito a esta qualidade de Nietzsche, pela qual muitas vezes me deixo cativar, podemos verificar que esta dicotomia verdadeira/falso, quando à possibilidade de acedermos ao conhecimento da realidade, foi sendo colocada, por diferentes pensadores, ao longo da História.

Para Platão havia dois mundos, o inteligível e o sensível. O primeiro permitia acesso ao conhecimento (das ideias), o segundo, dados pelos sentidos, só era possível uma ténue realidade do mundo das ideias. E A Alegria da Caverna reflecte bem este pensamento.

Nietzsche ao mencionar “o carácter da existência não é o de ser verdadeira” pode-se ver esta questão, de certa maneira, na abordagem de Kant, ao referir que não é possível conhecer a realidade em si mesma, a não ser por meio efectivo de uma determinada representação que façamos dela.

Bem, acompanhar a reflexão de Nietzsche, mesmo que cativante, já é difícil, por mim, Kant ainda muito mais, melhor será manter-me pelo pouco que posso conhecer.

Mesmo que, com tudo isto, me leve a pensar que estamos aparentemente condenados a fazer somente uma constante e perpétua interpretação de uma suposta realidade. Contudo, não entendo haver drama nisso, pelo contrário, podemos encarar como uma acção verdadeiramente enriquecedora este papel interpretativo desempenhado pelo ser humano, como parte integrante da realidade.

Finalizando, posso ainda pensar, diferentemente de Nietzsche, por não podermos ter um verdadeiro conhecimento da realidade, não me obriga a pensar o que me sobra é uma visão falsa da existência da realidade. Porque segundo as próprias palavras de Nietzsche “o carácter da existência não é o de ser verdadeira”, e julgo que isto deve ser válido para a determinação da verdade quando ela seja apresentada na possibilidade daquilo que é entendido como verdadeiro ou quando é apresentada como falsa (ora se o verdadeiro pode não ter existência como tal, mas devo então igualmente dar lugar a pensar que o falso visto como tal possa igualmente não o sê-lo, ou seja o que determino verdadeiramente como falso, esta determinação, também, sofre igualmente pela mesma premissa da perspectiva “o carácter da existência não é o de ser verdadeira” então ela pode não ser também verdadeiramente falso).

Rambaldini disse...

"Gosto de fechaduras...

Mesmo as que não têm chaves,

Cruzamo-nos com elas na rua

e quem as abre? Sabes?"

Gosto mesmo... e adorei o teu blog!