quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

7 Maravilhas do Cadaval - Sítio das Opiniões

[Cruz da Salvé Rainha - Serra de Montejunto, 2006, FF]

[Parque de Lazer - Cadaval, 2006, FF]

[Convento Dominicano - Serra de Montejunto, 2006, FF]

[Tanques do Gelo - Serra de Montejunto, 2006, FF]



[Real Fábrica do Gelo - Serra de Montejunto, 2006, FF

[Moinhos de Montejunto, 2006, FF]

«Esta iniciativa surge no âmbito da votação das 7 Maravilhas do Mundo e das 7 Maravilhas de Portugal e servirá para chamar a atenção dos Cadavalenses, dos Portugueses e dos Cidadãos do Mundo para algumas das “maravilhas” do Concelho do Cadaval.
Temos consciência de que a lista das 21 “maravilhas” escolhidas não irá agradar a todos, mas infelizmente é impossível agradar a todas as pessoas.
Contudo, estamos disponíveis para receber mais algumas para o e-mail do concurso 7maravilhascadaval@sapo.pt , que com muito gosto iremos acrescentar á nossa proposta.
Pensamos que independentemente das escolhas, seram dignas representantes do Cadaval e do seu concelho por essa blogosfera fora! »

in Sítio das Opiniões

E como habitante do Cocelho do Cadaval, e como apaixonada pela Serra de Montejunto não podia deixar de fazer um post sobre esta ideia. :)

Aqui ficam algumas das Maravilhadas sugeridas do Sítio das Opiniões.

Um dia destes recebi um e-mail, a perguntar o que era afinal a Real Fábrica do Gelo. Na altura não respondi (aqui vai o meu pedido de desculpas) mas, aqui fica a história... há até quem diga que é a única na Europa e na Ásia! Se algum entendido na matéria passar por aqui, que diga de sua (e nossa) justiça sff :)

Segundo se presume, teria sido nos princípios do século XVII, ou mais exactamente com o começo do domínio Filipino em Portugal, que entre nós se começou a generalizar o uso do gelo para a fabricação de sorvetes e obtenção de bebidas geladas.
Face às limitações tecnológicas dessa época, apenas o gelo obtido da Natureza poderia ser utilizado para aqueles fins.
Assim, não é de surpreender que no século seguinte nos surja como importante cargo da corte o de " Neveiro de Sua Majestade" criado por D. Pedro II que, como facilmente se depreenderá, tinha como função garantir que nos meses de Verão, na Mesa Real não faltasse o tão apetecido gelo para elaboração de sorvetes gelados, ou mesmo para gelar vinhos e bebidas que os costumes da época exigiam.
Com a benignidade e tempero do nosso clima, não era tarefa fácil, nas épocas quentes do ano, os meses de Julho e Agosto, obter neve ou gelo naturais, mesmo recorrendo às serranias mais elevadas e frias do nosso país - talvez apenas na Serra da Estrela. Porém , a distância da grande serra a Lisboa e o contínuo aumento do consumo de gelo que entretanto se começava a alargar para um número de consumidores cada vez maior, levou a que o mesmo fosse procurado noutros locais mais próximos.
Assim, em meados do Séc. XVIII, as Serras de Coentral (Castanheiro de Pêra) e de Montejunto, passaram a ser lugares privilegiados para a recolha, fabricação e conservação de gelo.
Vestígios dessa actividade ainda hoje se podem ver na Serra de Montejunto, numa zona conhecida por Quinta da Serra.
A Real Fábrica do Gelo, situada na vertente norte da Serra de Montejunto, constitui pela sua originalidade arquitectónica e pela sua apurada técnica de engenharia empregue na sua construção, uma autêntica preciosidade do património arqueológico industrial que vale a pena conhecer.
O recanto no qual se situa a Real Fábrica do Selo, sombrio e húmido, fustigado pela presença contínua de um vento cortante e desagradável que se levanta do Atlântico, assevera ao visitante que não foi um mero acaso a escolha daquele local para a edificação de uma estrutura destinada à obtenção de gelo. A Serra de Montejunto oferecia as condições climatéricas necessárias para a produção de gelo natural, ao mesmo tempo que apresentava a vantagem de se localizar relativamente próxima da capital.
A Real Fábrica do Gelo terá sido construída por volta do ano de 1741 a mando de João Rose e Pedro Francalanza, na altura concessionários do abastecimento e comercialização do gelo em Lisboa. De acordo com Francisco Câncio, a sua edificação teria demorado seis anos, custando a elevada quantia de 45000 cruzados, e nela chegaram a trabalhar em determinadas ocasiões cerca de cem operários.
No meado do Séc. XVIII a exploração de gelo em Montejunto estava a cargo de D. Catarina Ricard, que se ocupava do seu fornecimento à capital. A favor da concessionária emitiu D. José um alvará, datado de 18 de Setembro de 1750, concedendo-lhe especiais privilégios relativamente ao transporte do gelo desde o local onde era obtido até chegar ao seu destino. O Rei ordenava às autoridades das comarcas das terras por onde transitasse este produto que prestassem toda a ajuda e favor necessários ao seu rápido transporte, justificando a decisão tomada pela necessidade de "poder dar satisfação a este negócio tanto do bem comum de todos", trato este que implicava elevados custos de deslocação "em bestas, barcos e trabalhadores".
Em 03 de Novembro de 1759, o monarca fazia a concessão de idênticos privilégios a Julião Pereira, atendendo deste modo às queixas que lhe foram dirigidas pêlos adjudicatários do abastecimento de gelo a Lisboa respeitantes aos elevados custos e dificuldades inerentes ao transporte de um bem tão vulnerável. Era preocupação régia que o transporte do gelo se realizasse o mais rapidamente possível para que o produto atingisse a capital em boas condições de consumo. Cremos tratar-se deste Julião Pereira o indivíduo cujo nome consta na inscrição da lápide, datada de 1782, que até há bem pouco tempo encimava o portal setecentista que dá acesso ao átrio onde se situam os poços de conservação das camadas de gelo. O teor da inscrição contida na lápide (a ser recuperada) é o seguinte:

"ESTA FABRICA CO SUAS PERTESAS CÕPROU E RE
EDIFICOU JULIÃO PR° DE CASTRO CAPITÃO DE
MALTA REPOSTEIRO E NEVEIRO DA C(AS)A REAL
NO ULTIMO DE JANEIRO DE 1782


A produção de gelo na Serra de Montejunto deve ter cessado no final do século XIX(1885?), facto que embora sem confirmação documental coincide com o testemunho da tradição oral recolhida entre os mais idosos habitantes de Pragança. Esta aldeia, situada na vertente noroeste da Serra de Montejunto foi, provavelmente, a principal fornecedora de mão-de-obra à Real Fábrica do Gelo.
A Real Fábrica do Gelo é constituída por um poço, actualmente coberto, e que outrora abastecida de água um total de quarenta e quatro tanques (ou tabuleiros) amplos e rasos destinados à sua congelação. As finas camadas de gelo formadas nestes tanques calcários eram posteriormente transferidas para três poços profundos, um deles bastante grande, localizados um pouco mais acima, onde, envoltas em palha se conservavam até que chegasse o momento do seu envio para Lisboa.
Segundo António Morais, de Pragança, andavam habitualmente três homens no fundo do poço maior a calcar com maços as camadas de gelo que eram ali colocadas por meio de uma roldana, cujo gancho ainda se pode observar na abóbada dos poços.
Costumava-se dizer por graça que "quando o poço grande estivesse cheio de gelo, um dos mais pequenos estaria cheio de dinheiro." Estas histórias ouviu o Sr. António Morais serem contadas pelo pai, que trabalhava na Fábrica de sol-a-sol, uma vez que no seu tempo de meninice já não se produzia este bem em Montejunto.
A localização e a estrutura arquitectónica deste complexo de produção de gelo natural, único no género em Portugal e no Mundo, traduz o domínio de uma apurada técnica de engenharia, tanto na escolha do local onde foi implantado, como nos mecanismos concebidos para produzir e conservar o gelo.
Note-se igualmente, que a sua obtenção através deste processo constituía um notável melhoramento na qualidade e higiene alimentares. Não se tratava de neve natural, amontoada pelo próprio vento num recanto em mato e esterco de modo a ser conservada, como acontecia na Serra da Estrela, mas sim de gelo obtido por congelação natural em tanques calcários construídos para o efeito e depois preservado em poços adequados e caiados.
Próximo da Real Fábrica do Selo encontram-se ainda as ruínas de um antigo forno de cal, construção que estaria muito provavelmente relacionada com a actividade da fábrica. Além do efeito refrescante que a cal proporciona, esta seria também utilizada como desinfectante dos poços.
O transporte dos blocos de gelo, desde a altura serrana, onde eram produzidos, até ao Porto de Lisboa, constituía um processo moroso e complicado pêlos deficientes meios de transporte existente na época.
Após serem retirados dos poços de conservação, eram cuidadosamente envolvidos em palha e serapilheira, de modo a ficarem protegidos da incidência dos calores do estio. A primeira fase do trajecto, até à base da Serra de Montejunto, era feita no dorso de animais, geralmente da espécie asinina. Aqui chegados, prosseguiam viagem no interior de carros de bois que os transportavam até á Vala do Carregado onde encetavam a última etapa do percurso, Tejo abaixo, a bordo de barcos à vela (barcos da neve). Em Lisboa, podiam finalmente cumprir o seu destino perecendo na fausta mesa real ou ao balcão de um modesto café alfacinha.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Fuga

[Serra de Montejunto, 29 de Janeiro de 2006, FF]
"Não poucas vezes esbarramos com o nosso destino
pelos caminhos que escolhemos para fugir dele."
Jean de La Fontaine

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Don´t be shy.... fly

[Ilha do Baleal, 2006, FF]

"Don't be shy you learn to fly
And see the sun when day is done
If only you see
Just what you are beneath a star
That came to stay one rainy day
In autumn for free
Yes, be what you'll be."
Nick Drake

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Lucidamente


[Quarteira, 2006, FF]
"Ver muito lucidamente prejudica o sentir demasiado.
E os gregos viam muito lucidamente, por isso pouco sentiam.
De aí a sua perfeita execução da obra de arte."
Fernando Pessoa

I'm no Angel

[Lagoa de Óbidos, 2006, FF]

I'm no angel,


But please don't think that I won't try and try

I'm no angel,

But does that mean I can't live my life

I'm no angel,

But please don't think that I can't cry

I'm no angel,

But does that mean that I won't fly

I'm no angel

by Dido

sábado, 3 de fevereiro de 2007

[Im]previsível


[Baleal, 2006, FF]

"As regras cansam-me

Os pensamentos no sítio certo desgastam-me

Prisioneira do previsível lembro o fulgor do imprevisto."

by Magia in http://amagiadaspalavras.blogspot.com/

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Fotodicionário - Tempo

[Estação de Comboio - Bombarral, 2006, FF]
Para quem já conhece o blog não é novidade.
Para quem não conhece faz favor lá ir.
Todas as semanas sugerem uma palavra.
O que a malta tem que fazer é enviar a imagem / fotografiaque
na sua opinião ilustra essa mesma palavra.
Para a semana a palavra sugerida é:
Abismo

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Toques

[Aldeia de Pragança - Serra de Montejunto, 2006, FF]
"Ao receberem e darem os seus pensamentos,
as pessoas comunicam entre si como nos beijos e abraços;
quem recolhe um pensamento não recebe alguma coisa,
mas alguém."
Hugo Hofmannsthal

quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Balanço

[Praça das Caldas, 2006, FF]

"Passamos metade da vida à espera daqueles que amamos

e a outra metade a deixar os que amamos."

Victor Hugo

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

Coisa Indefinida

[Santarém, Janeiro de 2007, FF]
Se Deus não existe...
O pior de tudo é que eu digo e afirmo - Deus não existe! - mas na realidade não sei se Deus existe ou não.
Não há nada que o prove - ou que prove o contrário.
O pior de tudo é que eu sinto uma sombra por trás de mim e não sei por que nome lhe hei-de chamar.
O pior que podia acontecer no mundo foi alguém pôr esta ideia a caminho.
Mas mesmo que Deus não exista, tenho medo de mim mesmo, tenho medo da minha alma, tenho medo de me encontrar sós a sós com a minha alma, que é nada,
o fim e o princípio da vida e a razão do meu ser.
Mesmo que Deus não exista e a consciência seja uma palavra,
há ainda outra coisa indefinida e imensa diante de mim, ao pé de mim, perto de mim.
Raul Brandão, in "Húmus"

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Sentido Absoluto

[Torres Vedras, 2006, FF]

"Penso que o amor é muito difícil. Existem muitos obstáculos a que possa ser o absoluto que é. A palavra amor é uma palavra muito gasta, muito usada, e muitas vezes mal usada, e eu quando falo de amor faço-o no sentido absoluto... há uma série de outros sentimentos aos quais também se chama amor e que não o são. No amor é preciso que duas pessoas sejam uma e isso não é fácil de encontrar. E, uma vez encontrado, não é fácil de fazer permanecer."

José Luís Peixoto in Diário de Notícias (Notícias Magazine)

Miocárdio Pedido XVII - Mianinha









[Ilha do Baleal, 2006, FF]

"Todos os dias Deus nos dá um momento em que é possível

mudar tudo que nos deixa infelizes.

O instante mágico é o momento em que um 'sim' ou um 'não'

pode mudar toda a nossa existência."

Paulo Coelho in Na Margem do Rio Piedra Eu Sentei e Chorei

O Miocárdio Salgado desta madrugada vai directamente

para a margem do Rio Douro.

Mianinha,

Que o teu Palco seja aquele que tu quiseres.

E que sintas sempre mas, sempre... que os aplausos estão lá!

Bem à beira de um qualquer rio.

Aquele rio que se ri de um riso contagiante para ti!

Miocárdio Pedido ao ritmo de I Still Haven't Found What I'm Looking For (Live (2) By U2

sábado, 27 de janeiro de 2007

Caída


[FIESA - Cidade de Areia, Pêra - Algarve, 2006, FF]
"Um dia falaste-me em Apoio.
Eu também gostava de sentir algum!"
Estranha pessoa esta

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

Olhos lassos

[Santarém, Janeiro de 2007, FF]

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces

Estendendo-me os braços, e seguros

De que seria bom que eu os ouvisse

Quando me dizem: "vem por aqui!"

Eu olho-os com olhos lassos,

(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)

E cruzo os braços,

E nunca vou por ali..."

José Régio

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Etceteras

[Parque dos Lápis - Cadaval, 2006, FF]

E de repente tudo me cheira a reticências
e muitos etceteras.
Espero eu que não cheire a exclamações.
Pois, tenho para mim que isso seria
a verdadeira interrogação!
Estranha pessoa esta

Fotodicionário - Medo

[FIESA - Cidade de Areia, Pêra - Algarve, 2006, FF]
"Todos os homens têm medo.
Quem não tem medo não é normal;
isso nada tem a ver com a coragem."
Jean-Paul Sartre
Para quem já conhece o blog não é novidade.
Para quem não conhece faz favor
lá ir.
Todas as semanas sugerem uma palavra.
O que a malta tem que fazer é enviar a imagem / fotografia
que na sua opinião ilustra essa mesma palavra.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

Miocárdio Pedido XVI - Para aqueles que SENTEM um qualquer pulsar








[Serra de Montejunto, 2006, FF]
O Miocárdio de hoje é para todos aqueles que sentem.
Mas, sentir mesmo mesmo sentir!
Não apenas existir.
É Sentir!
Sentir o vento na face.
Sentir um arrepio na pele.
Sentir uma picada na aorta.
Sentir um aperto no miocárdio.
Sentir como se sente uma árvore.
Raíz, troncos, folhas, flores.
Despida.
Por despir.
Inverno.
Verão.
Sentir.
E que seja um sentir de arrepio.
Assumam esse arrepio.
Este miocárdio é para ti que tiveste e tens esse arrepio.
Tal como dizem os Judeus:
"Uma árvore não pode ser derrubada com um só golpe."
Miocárdio Pedido ao som de Conquest Of Paradise By Vangelis

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Estranha Loucura Esta



[Auto-Retrato, Praia da Guia - Algarve, 2006, FF]

"Há em mim várias figuras.

Quando uma fala, a outra está calada.

Era suportável.

Mas agora não: agora põem-se a falar ao mesmo tempo."

Raul Brandão in Húmus

sábado, 20 de janeiro de 2007

Enquanto houver

[Praça da Fruta - Caldas da Rainha, 2006, FF]
"Enquanto houver um sorriso
enquanto houver um fascínio
vento a soprar-nos na cara
e a roupa a tocar na pele
enquanto houver companhianos avessos do caminho
podem rasgar-nos a alma
que há-de sobrar poesia
enquanto lançarmos sonhos
com a força da maré
e desvendarmos o mundo
entre incertezas e fée as coisas oscilar
e mao segredar-se uma jura
podem rasgar-nos alma
que há-de sobrar a ternura
enquanto houver um disparo
que rompa um silêncio vão
enquanto o tempo doerao escorregar-nos das mão
se trocarmos a desculpapela culpa da verdade
podem rasgar-nos a alma
que há-de sobrar-nos vontade"
Mafalda Veiga

Gira gira gira .. que o vento tende a tardar!

[Algarve, 2006, FF]
"Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais."
Alberto Caeiro
E eu ando tão cansada de andar à chuva....

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

Fotodicionário - Música

[ 2006, FF]

Para quem já conhece o blog não é novidade.

Para quem não conhece faz favor lá ir.

Todas as semanas sugerem uma palavra.

O que a malta tem que fazer é enviar a imagem / fotografia

que na sua opinião ilustra essa mesma palavra.

Para a dona daquele estaminé um abraço enorme por partilhar connosco

tantos olhares, vivências e sentires.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Nós Próprios

[Algures numa estrada na Serra de Montejunto, 2006, FF]

"O medo é muitas vezes o muro que impede as pessoas de fazerem uma série de coisas. Claro que o medo também pode ser positivo, em certa medida ajuda a que se equilibrem alguns elementos e se tenham certas coisas em consideração, mas na maior parte dos casos é negativo, é algo que nos faz mal. (...) O pior medo é o medo de nós próprios e a pior opressão é a auto-opressão. Antes de se tentar lutar contra qualquer outra coisa, penso que é importante lutarmos contra ela e conquistarmos a liberdade de não termos medo de nós próprios."

José Luís Peixoto in Notícias Magazine (DN)


terça-feira, 16 de janeiro de 2007

A liberdade é uma maluca


[Praia de Peniche com Baleal como pano de fundo, 2006, FF]

"Tira a mão do queixo, não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar
Quem ganhou, ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas para dar
E enquanto alguns fazem figura
Outros sucumbem à batota
Chega aonde tu quiseres
Mas goza bem a tua rota

Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

Todos nós pagamos por tudo o que usamos
O sistema é antigo e não poupa ninguém, não
Somos todos escravos do que precisamos
Reduz as necessidades se queres passar bem
Que a dependência é uma besta
Que dá cabo do desejo
E a liberdade é uma maluca
Que sabe quanto vale um beijo"
Jorge Palma

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

Fantasmas

[FIESA - Cidade de Areia, 2006, FF]

"A razão porque os fantasmas abandonaram os velhos castelos da Escócia
é porque as pessoas deixaram de acreditar neles."
Gilbert Chesterton
E vocês?
Ainda acreditam em fantasmas?
Quais os seus nomes?

Pano de Fundo

[Serra de Montejunto com o Oceano como pano de fundo, 2006, FF]
"Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!"
Álvaro de Campos

sábado, 13 de janeiro de 2007

Cordão Umbilical

[Serra de Montejunto, 2006, FF]
Sinto depressão conforme perco tempo essencial
Sofro uma pressão enorme para gostar do que é normal

Deixo tudo para mais logo não sou analógico sou criatura digital
Tendo para mais louco não sou patológico como um papel vegetal

Faz-me impressão ser seguido imitado por gente banal
Faz-me um
Faz-me um favor estou perdido indica-me algo de fundamental

Acho que o que gosto em mim o que me emotiva é uma preguiça transcendental
E em ti o que me torna em afimo que me cativa é esse sorriso vertical
como um impressão digital

Sinto-te uma fotocópia prefiro o original
Edição revista e aumentada cordão umbilical
Exclusivo a morder a página em papel jornal
GNR

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

Serenidade

[Algures no Oeste, 2006, FF]
"Pois, A emoção é decerto uma forma de se subir mais alto.
E quando cai, de se cair de mais alto.
Aprende a serenidade.
Porque mesmo que caias, não te magoas tanto."
Vergílio Ferreira in Pensar